sábado, 12 de outubro de 2013

Contemplo a noite


Contemplo a noite
cai o silêncio nos ombros
eco solitário que me consome
noite igual por dentro…
ao silêncio.

A solidão trespassa a alma,
com mais intensidade
que o negrume da noite.
As palavras de mim para ti
diminuem.
Os pensamentos continuam,
o mar vem ao meu encontro.

Contemplo a noite,
o mistério invade-me
como uma estrela assombrada.
Meus passos não são apressados
o meu caminho já será outro
estou tão perto do silêncio.

Contemplo a noite
e olho então, as minhas mãos vazias
os meus sentimentos,
de profunda melancolia.
Ficarão as coisas que eu sempre amei
dentro do meu coração.

Contemplo a noite
só a alma conhece o destino
de tudo, passo a passo,
e as estrelas vestem-se de fogo
como água perdida
em lágrimas das folhas…
Não me acordes!...
esta voz busca o vento
para tocar-te ao ouvido.

Contemplo a noite
Penso no sol, na lua, nas estrelas, no mar,
às vezes a minha cabeça flutua
arde de dor
de todos os meus pensamentos
vazios…

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

Um anjo vem...

Um anjo vem todas as noites
envolto neste mágico silêncio.
Em segredo viajamos
de alma perdida,
agora encontrada.

Senti secretamente
um anjo… veio!…
não contive o beijo,
o abraço
a entrega louca.

Muitas vezes sem nada dizer,
embora o meu coração gritasse
tinha sede do teu olhar.
Sonhei-te… sonhei-te…
Onde estás…? Meu anjo…

Cerro os meus olhos e regressas
mesmo que por dentro, em mim,
misture sem fim
as nossas limitações
de vazios carregados.

O meu corpo, completa o teu corpo
que sedento… anjo vem!
povoa as minhas entranhas
entrega-te nos meus braços
num apertar eterno.

Assumes ter sido carne,
saciando o meu prazer,
e regas todo o meu ser.
Pela janela, vejo o dia nascer
tu és anjo de pedra viva e valiosa.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

A Vida...

A vida é demasiado preciosa
para viver contrariada
ou com a sensação
de que deveria estar noutro lugar qualquer.
Como um vento que ninguém
pode fazer parar de soprar!

A vida…
É uma voz que, quando desejada
não se cala… ecoa, está lá,
sempre lá…
como as estrelas que se apagam
pela manhã.

A vida…
fala e não mede as palavras…
Eu sei… sempre soube
que só a vida pode dar força
que  não cansa…
A vida que não se esgota!

E mesmo quando eu chorar,
nem o silêncio tranquilo da tarde
se cruza comigo.
A vida…
Este poema (escrito) vivido
faz-nos enfrentar juntos o dia escuro,
na solidão fria da morte.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Falo-te de mim

 
O meu olhar é profundo
o meu coração é sofrido
a minha respiração é doce
sou um vulcão adormecido.

O meu calor é magnético
sou o amante e o amigo
o meu toque é divino
sou sonho e poesia…

O meu sorriso é o céu
sou o silêncio e a solidão
quando me aproximo sou meloso,
o meu perfume é maravilhoso.

Sou em palavras o amor que me consome
a minha voz melodia
sou o cavalo branco que tu queres montar!
o meu prazer é o teu desejo.

Sou como o céu de delícias divinas
o pedaço que te falta!...
sou a maravilhosa melodia
o brilho de amor e felicidade.

Sou o desejo do teu ser,
do querer a luz do prazer.
Sou o olhar meigo e cheio de amor,
o brilho da felicidade

Sou filho das estrelas
sou  o vazio, a solidão
sou o reflexo da saudade,
sou o que transmite o coração.

Sou uma estrela
algo assim!
um cometa, um sol...
Sou feito de algo sem fim.

Ando sem destino
amo tudo em mim
este sou eu…
Eu sou... assim.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

O silêncio fala mais alto

O silêncio fala mais alto
como se procurasse respostas
aos sentimentos

O silêncio fala mais alto
ao recordar o momento
da coragem.

O silêncio fala mais alto
dos tempos que passámos
na esperança.

O silêncio fala mais alto
quando os meus olhos iluminados
se encontraram nas incertezas.

O silêncio fala mais alto
abandono o passado
nos sonhos.

O silêncio fala mais alto
quando as nuvens passam
nas emoções.

O silêncio fala mais alto
há algo forte e sólido
nos nossos momentos.

O silêncio fala mais alto
o desejo floresceu
das angústias.

O silencio fala mais alto
nas horas incertas
da paixão.

O silêncio fala mais alto
desde o sussurro mais nobre
dos desejos.

O silêncio fala mais alto
nos sonhos secretos
dos nossos segredos.

O silêncio fala mais alto
contornando cada detalhe nosso
na raiva.

O silêncio fala mais alto
na forma de falar sentida
das saudades.

O silêncio fala mais alto
no silêncio das fantasias
da madrugada fria.

O silêncio fala mais alto
oxalá a mentira absurda
não se transforme em sofrimento.

O silêncio fala mais alto,
é algo difícil de se entender
na melancolia.

O silêncio fala mais alto,
derruba as fronteiras
da serenidade.

O silêncio fala mais alto,
nesta força terrível da verdade
do destino.

O silêncio fala mais alto,
quebra a cadeia do tempo
e do medo.

O silêncio fala mais alto,
na ilusão de que tudo
poderia caber dentro do amor!...

O silêncio fala mais alto,
como se fosse um contratempo
do silêncio.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cruzamos o olhar

Cruzamos o olhar
como algo que não nos é permitido
assim como uma nuvem
além no infinito…

Eu vou voar,
até os céus explodirem.
Deixa o que tu calas-te
e eu tanto precisava.

Perdido no vazio,
ainda que seja um labirinto
cruzamos o olhar,
depois da fantasia.

Perdido no vazio,
quantas vezes no meu canto
em silêncio… guardo as lembranças
nos versos tristes que invento.

Como poeira
ao vento,
oiço o trautear do passarinho
pequenino e belo.

E no final descobrimos
que no seu corpo se transporta
para lugares, onde nunca fui.
E quantos como eu nunca foram…

Cruzamos o olhar
entre sonhos… entre vidas…
E no final descobrimos
mil razões para viver  um sonho alado…

O sol, as águas límpidas do rio,
o tempo passa e o menos importante
é tudo o que resta
quando, cruzamos o olhar.

Horas profundas, na ilusão do sentimento…
Cruzamos o olhar,
para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.

E um belo dia, no entanto nada resta.
Tudo parece estranho
e tão deserto…
São apenas alguns sentimentos.

Cruzamos o olhar,
os encantos que desnudam
o erotismo do sonho.
E tudo o que posso sentir é este momento.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

Eu...

Perdi o jeito de sorrir que tinha!
Sei que nunca fui perfeito,
já lá vai o tempo em que acreditava
em princesas montadas num cavalo.

As coisas ou são ou não são!
Domino os meus sentimentos
e sou bastante racional.
Também não deixo qualquer pessoa
entrar no meu mundo.

Sou inteligente
persistente…
Sinto-me muito homem
porque faço o que quero
e tenho imensas responsabilidades.

Sou alguém que vive o amor
sem tempestade.
Tenho um carácter pacífico
um temperamento doce.
Não me acho bonito!

Quando acordo,
não gosto de ver-me ao espelho.
Ainda por cima acordo com mau feitio.
Por norma sou uma pessoa bem disposta,
entro nas brincadeiras e não levo a mal.

Em tempos… era mais puro!
Agora já não confio tanto nas pessoas.
Adoro desafios e gosto de ser posto à prova,
mas também tenho receios,
apesar de acreditar nas minhas capacidades.

Não gosto de me expor…
Eu…
Apesar de não ser pessimista,
uma das minhas maiores virtudes
é estar sempre preparado para o pior.

É tolice eu afirmar que a minha vida
é só felicidade.
há coisas que não imaginamos,
que nos preenchem.

Adoro o mar!
E falar do mar…
Também tenho um desejo incontrolável
de experimentar as emoções da vida.
Eu… sei que nunca fui perfeito.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

Olha para mim

Olha para mim
hoje eu só quero saber
onde é o começo ou o fim.
A liberdade permite sonhar
e o que sonhamos aconteceu.

Olha para mim
e mergulha na doce bruma
dos meus olhos
onde pulam os meus sentimentos.
Amar é deixar brotar o que já existe neles!

Olha para mim
no gozo do amor há um segredo…
Dois seres, duas vidas procuram-se
entre as sombras da noite.
A audácia desafia.

Olha para mim
o amor é também um mistério
alma, sentidos, coração
palavras mornas que adormecem
ao fogo da paixão.

Olha para mim
quando mergulho profundo nos teus olhos,
nos sinais que a tua pele traz
implorando compaixão
num abraço apertado.

Olha para mim
e incendeia-me com o teu olhar
aqui onde o mar bate fortemente nas rochas
Quis regressar com o silêncio…
ouvir o eco da praia.

Olha para mim
olha para o meu ser…
è apenas o som do vento!...
A empurrar os pequenos grãos de areia,
Que parecem não ter fim.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma lareira a crepitar

Uma lareira com o fogo
a crepitar…
Os lençois contorcem-se
tentando disfarçar
respirações ofegantes,
pequenos gemidos
e os corpos que se abraçam
na procura do outro.

Uma lareira com o fogo
a crepitar…
A boca repousa ofegante
ao lado do meu ouvido.
E fecho os olhos!...
Sei que sou a última gota de orvalho
que alguém quereria
para não morrer à sede.

Uma lareira com o fogo
a crepitar…
Apesar do frio, que corta o ar
tal era a embriaguez dos sentidos…
E beijei-lhe o corpo
centímetro a centímetro…
Aqueles lábios mágicos,
com sabor a mel e jasmim.

Uma lareira com o fogo
a crepitar…
E o meu desejo aumentou
louco e tormentoso.
A respiração descontrolava-me
os movimentos…
E por instantes
perdi o ar!...

Uma lareira com o fogo
a crepitar…
Congelava-me a respiração!
toda aquela liberdade,
magia e cor
que transparecia,
cores vermelhos e laranjas
seduzia-me imenso.

Uma lareira com o fogo
a crepitar…
Abracei-a!
Como poderia eu deixar de o fazer?
Ela estava ali, nua aos sentimentos
e descoberta pelas emoções
o momento depois… só nós
o poderíamos tornar especial.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net

No fim da noite

No fim da noite,
nem um sopro de vento
nem o sorriso desfeito
tem o olhar afogado
na simplicidade das lágrimas.

Como se tivesse perdido a memória,
no fim da noite
haverá sempre uma luz indecisa
os braços abertos
para abraçar.

No fim da noite,
palavras chegam...
à boca
uma emoção ocorre
um medo que regressa.

Nos olhos, um sorriso
porque o olhar não vem
nos olhos que fogem e se fecham
carregado de ecos do passado,
de desejo.

No fim da noite
o silêncio é profundo
a lua desapareceu
o sol passou e no olhar,
a tristeza de uma paisagem nocturna.

No fim da noite,
sem memória
feita de inocência
a respiração pára.

A tempestade adormeceu
com o vento…
No fim da noite,
o mar está longe! 
o céu está coberto por uma
bruma espessa.

Está mais claro que a areia,
que o mar!
No fim da noite.
como se fosse uma carícia infinita,
um adeus,
resta apenas o barulho.

No fim da noite,
sem palavras,
sem tinta para escrever.
atrás dos vidros das janelas
só me resta mesmo o silêncio,
o céu já não está em movimento,
não vejo o mar!
no fim da noite.

Autor: CarlosCoelho
Foto da net