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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Nunca consegui tocar os meus limites


Nunca consegui tocar os meus limites
vencer todas as barreiras
acalmar nos momentos mais ansiosos.
Estas noites agitadas
algo frustrantes!
Uma sensação estranha
um desafio emocional…
dou comigo a olhar para longe,
durante horas …
esqueço-me de tudo.

Nunca consegui tocar os meus limites
despertar gargalhadas,
magia…
a minha luz,
a minha razão de viver
acrescentar algo a mim próprio.
Nunca iria olhar para mim
de forma diferente
numa noite de nevoeiro.
Não se deve andar à procura de amor,
mas esperar que ele aconteça.

Nunca consegui tocar os meus limites,
Já me senti muitas vezes só,
os nervos à flor da pele
não é algo que me assuste.
Saio fortalecido dos meus momentos de solidão
de olhos bem abertos
para não perder nada
de bem comigo e com a vida.

Nunca consegui tocar os meus limites
o meu tempo faz todo o sentido
é difícil ter coração!
nunca digo nunca!...
conquisto todas as emoções
com outro espírito
com tanta mágoa…

Nunca consegui tocar os meus limites,
é perfeita a aura
as lágrimas secam
as memórias e os afectos
ficam para sempre
demasiado fortes
como as palavras que o vento leva.

C@rlos@lmeida
(Foto da net)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Choros e lamentos


Adeus choros e lamentos
ódios que esqueci
amores que já não sei…
mesmo quando, lhe ofereci
o colo e palavras doces,
vazios entregues ao destino.
Cá dentro, só buracos e erros
um longo sofrimento
o sentido que me permite ser
aquilo que eternamente desejo ser.
Acredito piamente que um dia,
não muito longe
não muito perto,
num tempo que há-de vir,
no espaço prometido
isso terá lugar,
acontecerá…
Debaixo de um céu carregado de nuvens
conquistar uma forma de liberdade
correndo o risco da solidão,
virar as costas ao passado
às agruras da vida
aos fantasmas antigos.
Chegam em silêncio
e velam para que não durma…
nunca mais durma!
Adeus choros e lamentos,
Vou partir…
Partir para mim próprio…
Abram-se os horizontes
para poder sentir o sol
o vento frio e seco…
Ah, e debaixo da chuva
suscitar emoções,
sentimentos, reflexões,
fantasias, choros e lamentos
que separam a noite
da manhã rosada.

C@rlos@lmeida
(Foto da net)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Palavras ao acaso

Acontece muitas vezes apetecer,
baixar os braços e desistir.
Em cada momento,
em cada lugar,
a vida revela mais sobre
quem o diz
do que, sobre ela própria.
Apetece,revelar especialmente,
quando sei que faço tudo
longe do mundo,
onde o sol brilha intensamente,
longe da vida,
no frio de uma noite de inverno,
da maneira certa,
com a melhor das intenções
com a ânsia de conhecer,
de conviver,
de viver.
Ou se convive com a verdade
ou ignora-se!
E… o castigo é continuar
infinitamente a errar.
Os defeitos são as qualidades,
os meus medos são as certezas
da minha outra parte.
As esperanças são os medos,
que me ajudam a buscar a felicidade.
Cada um de nós procura a outra parte
que nos completa
que preencha algo que nos falta.
Assim, buscamos no outro
o que não temos,
ou o que não somos.
Como o modo de amar,
ou de estar na vida,
ou da forma como nos ilumina.
Ou alguém aparece
e dá um arraso
em tudo o que foi feito...
Aquilo que a vida revela.


C@rlos@lmeida
(Foto da net)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Brilho do farol


Diz que não é tarde demais
Agora… parto sem mágoa
Já não quero estar aqui.
Quando o sol se esconder no horizonte,
quando toda a dor vier à tona
só o tempo vai curar.
Tu vais entender!
Tento chegar ao farol,
e não encontro uma saída.
Eu sei… que não sou escritor
e por isso procuro palavras,
para definir este lugar tão belo.
Tudo fica mudo!
Aqui!... Neste porto de abrigo.
Eu vou gritar ao mundo!
Já sofri por amores que vivi.
Neste farol…
Onde o horizonte começa e termina
e o tempo espera.
Tanto silêncio…
Queria entender as razões
que só o tempo pode curar…
Neste porto de abrigo
vou-me encontrar.
Vale a pena acreditar
Cá!… vou gritar ao mundo
tudo pelo que passei.
Aqui!... acabou-se a dor
que me parte em pedaços.
Além do brilho do farol,
o horizonte…
leva-me até ti,
Quando tu não estás…
O farol,
o mar calmo,
o silêncio,
levam-me até ti.
Não queria tanta solidão,
não sei onde estás,
mas não penses em te afastar de mim.
O farol…
Este meu porto de abrigo
onde oculto
os meus sentimentos
pelo menos, algumas vezes.
Aqui!... onde o mar começa
e a terra termina.
Além do horizonte, do pôr-do-sol
tenho o brilho do farol.

C@rlos@lmeida
(Foto da Net)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Tempo

Tempo, falta-me tempo
falta-me tempo
para ter paz
para o nada
para o vazio
para ficar disponível.
É muito importante
ter momentos,
tempo…
pleno de vazio.
Falta-me tempo
vivo momentos,
e vou guarda-los para sempre.
Tempo,
que expressa
o que me vai na mente
e no coração.
Falta-me tempo
a expressão do olhar
traduz o sentimento,
os instantes mágicos,
suspensos nos teus encantos.
Tempo…
e o silêncio inspiram-me,
mostro-me,
mas nunca me dou realmente
depois da sedução
do amor…
Tempo… falta-me tempo
Tempo sobre a razão de viver
Tempo sobre a importância das coisas
Tempo…
no corpo e na alma
para ouvir os outros.
Falta-me tempo
Para abdicar de tempo,
de vida,
de privacidade
de emoções
de sentimentos…
Ás vezes penso
que está tudo
ao alcance das mãos.
Mas… falta-me tempo.

C@rlos@lmeida
(Foto da Net
)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vive cada instante

Vive cada instante...
A nossa vida,
foi feita para amar.
Não sonhes...
vive cada instante.
Tudo no mundo é frágil,
a minha alma
de sonhar-te
anda perdida.
Vive cada instante
nos turbilhões
que o vento levantar.
Tanta sombra em redor...
Vive cada instante!
A vida é simples,
olha-a de longe
fingindo ter pena
no coração vazio.
Eu sei que sonhei
ainda sem amor
por ninguém!
Vivi cada instante
e nesse sonho
eu já nem sei quem sou.
A brisa do mar
vive cada instante...
Dá-me a tua mão
que me acaricia o rosto
e a minha boca triste
e dolorida.
Vive cada instante
porque se morre,
no beijo que procuras
aprisionado dentro do peito.
Acredita...
vive cada instante
a nossa vida
foi feita para amar.

C@rlos@lmeida
(Foto da Net)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Mar!


Preciso de me encontrar com o mar
acredito que o mar representa a minha liberdade,
a minha realização como ser humano.
O mar azul- turquesa!
sorve cada momento,
com um sorriso lindo
de quem está em perfeita harmonia,
para apanhar a luz que o sol irradia.
Preciso de me encontrar,
fugir às ruas barulhentas
e empoeiradas da cidade…
meu doce mar…
onde adormeço embalado
pelas ondas suaves,
pelos gritos das gaivotas
e outras aves marinhas.
O meu mar…
Ágil, perfeito , amadurecido
o meu sangue,
o meu coração
os meus sentimentos,
os meus arrepios,
os meus medos.
Preciso de me encontrar com o mar!
Gosto do azul,
transmite-me paz,
faz-me acreditar
quando os sentidos dominam a razão.
O calor emanante da terra,
estranho, cheio de mistérios…
É-me indispensável sentir
esta paz de espírito.
Vou-me embora mar!
Aqui…
há uma língua que não precisa de tradução,
a do sentimento…
não necessita nem de prantos,
nem de vozes,
nem de beijos,
nem de despedidas
meu doce mar…
Eu volto!

C@rlos@lmeida

(Foto Cute S.Miguel)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vida

Vida
É madrugada calma,
um novo dia já floresce,
e enquanto te lembro
perdido em palavras e sonhos
é o barulho da vida que me traz de volta à realidade.
A noite pesada, sombria
já é fumo e desaparece,
e oiço-te dizer, com o olhar mais triste do mundo
que há vidas que passam,
como se o destino das vidas
não fosse esse mesmo.
Um novo dia de esperança ou desilusão
ninguém sabe!
só é sim um novo dia,
o de fazer vezes sem conta
num exercício de eternidade,
o mesmo caminho.
Sair da noite lentamente,
será que traz esperanças ao mundo?
e ao acabar o seu reinado deixa um pouquinho de tudo.
no fundo da minha vida
as vidas estão sempre a passar,
habituei-me muito cedo a elas,
tão cedo como a tua presença
talvez por isso fique triste
tantas vezes por dia.
A vida…
Para uns foi boa
Deu-lhes tudo e muito mais
a outros destruiu tudo!
a fé , o amor e os seus ideais.
A mim, a vida ensinou-me a ir à luta
quando tenho vontade de agir
e a não esperar por ninguém.
E nunca são iguais estas vidas que vivemos.

C@rlos@lmeida
(Foto da Net)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Por entre o sonho e a mágoa

Photobucket
Por entre o sonho e a mágoa
espreito pela janela...
pergunto ao céu
Sentes-te só?
Ele respondeu:
Se te murmurar noite dentro
em que cada minuto
é um momento único.
Por entre o sonho e a mágoa
a loucura invade-me estranhamente
sempre que eu tento respirar
sento-me à beira-mar
desfruto-o, sorrio-lhe,
eu próprio procuro
por entre o sonho e a mágoa
a imensidão desse momento,
que nasce da terra
que banha o mar
que se estende no céu
sol, lua, oceanos, montanha
que determina o dia e a noite.
O sol bate-me no rosto
vai sussurrando…
será um sinal de ti?
Por entre o sonho e a mágoa
olho em teus olhos
vejo-me reflectido em ti
numa madrugada esquecida.
O vento faz-me arrepiar…
vem ficar comigo
debaixo do céu
perto do mar!
Por entre o sonho e a mágoa
tento sempre acreditar
trocar sorrisos
numa noite sem luar
só uma vez…
nunca deixei de sonhar
não me sinto só.

C@rlos@lmeida
(Foto da net)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fecho os olhos e...

Fecho os olhos e saboreio a noite cá fora
O frio, o escuro
Olhares alheios sem sentido
Que passam
Coisas que ainda procuro
no meu espírito,
não sei como evitá-lo.
São momentos,
Muitas palavras ao mesmo tempo…
Tiritando de frio,
em vez de optar por me recolher,
fecho os olhos e saboreio
as gotas de chuva.
Como é fascinante o silêncio!
Tem coisas estranhas
com algo de cruel.
Fecho os olhos e saboreio o meu amor
à música e as palavras.
Tantas palavras que saem do meu íntimo
que me deliciam e comovem,
onde posso rir e chorar livremente
rir de mim, chorar para mim.
São momentos
Que se misturam com o silêncio.
Há coisas que ainda procuro
Saudade que cresce,
com o tempo vai passando,
em que aprendi coisas que nem sonhava que existiam.
São momentos
Sem ruído e cinzentos.
Fecho os olhos e saboreio cada letra que escrevo…
letras minhas
pensamentos meus.
Lá ao longe, um relâmpago no céu cinzento
é para lá que os meus olhos são levados…
Olhares alheios voltam a passar.
Vejo no seu olhar a sua interrogação …
O que faz aqui este doido ao frio?
Porquê?
Sem saber porquê procuro outro sentido…
Não é em mim!
é na busca do sentido.
Fecho os olhos, saboreio o som maravilhoso
das ondas a bater nas rochas lá ao longe.
Cai uma chuva miudinha…
O som de Sarah Brightman – A Whiter shade of Pale
simplesmente maravilhosa.
A chuva afinal não é chuva… é maresia !
Fecho os olhos, mas tenho de escrever
esta página que quero deixar fechada.

Mikii

(Foto da Net)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Porque escrevo?

Desde que me conheço que gosto de escrever e desde uma certa idade na adolescência senti a necessidade de expor o que pensava em relação a algumas questões.
Era necessário para mim aprofundar a escrita para qualquer coisa mais pessoal. Escrever para contar uma história que depois acabava por ser minha.
Para mim escrever, não é como interpretar um papel. Não é a mesma coisa. Um texto escrito é como um instantâneo, é um momento de vida em que sai aquele pensamento, que pode não sair nunca mais, então há que aproveitá-lo. E há textos que aparecem assim de repente, em certos momentos da vida. Outros invento-os para fazer experiências, que por vezes saem muito bem. E a escrita é isso mesmo, é o tempo que passa, porque não posso escrever sobre o tempo que ainda há-de vir. É fácil perceber o que leva os leitores a identificarem-se com o encantamento da escrita.
São fragmentos que têm sentido quando as pessoas se revêem nesta ou naquela frase, livre de medos, muito mais do que preconceitos. Aqui o personagem, não é uma ideia genial, mas é uma boa ideia.
Escrever para mim é muito importante, até para sentir os ecos de tudo aquilo que vivi no passado, e no presente, pois só assim é que faz sentido escrever.
Vou tendo a noção, de que escrever é uma verdadeira prova de fogo, o que num primeiro momento, por vezes deixa-me algo receoso, embora no momento seguinte, quando chego ao Blogue e vejo alguns comentários, que me dão ânimo e alento para continuar.
Há sempre vida e corpo por detrás de qualquer texto, único e irrepetível, como qualquer vida.
Escrever, permite-me criar algo de novo. O melhor da escrita é poder escrever o que penso, quando penso e não fazer o óbvio, porque o óbvio não tem piada.
Nunca pensei que me fosse apaixonar desta maneira pela escrita, mas a verdade é que aconteceu.
Brincar com as palavras, pode ser um desafio completamente diferente de todos aqueles que tive oportunidade de participar até agora.
É possível encenar no poema o que não pode ser realizado na vida.
Escrever tem sido incrível, surreal e estimulante.
Sempre que me sinto inseguro, pego num caderno e uma caneta e deixo a minha imaginação a trabalhar…
Escrevo de mente aberta, e muitas vezes na minha cabeça nem sempre é fácil tornar esses sentimentos reais.
As infinitas combinatórias das palavras, que formam o corpo do poema, são como uma impressão digital.
Ao princípio era-me muito difícil chegar ao final de um texto e conseguir voltar a ser eu próprio. Algo que tive de aprender com o tempo.
Hoje em dia já fico menos cansado emocionalmente, porque há frases e textos que tocam bem fundo, independentemente de ser real ou inventado, porque em ambas as versões é difícil compara-las, embora a emoção esteja lá em ambos os casos.
Sinto-me um privilegiado por fazer algumas pessoas sonharem.
Os comentários que recebo, encaro-os como um elogio à minha forma de escrever e estar e espero conseguir passar alguma mensagem positiva através da minha escrita.
Apenas gostava que comentassem mais…
Escrevo ou muito de manhã ou muito pela noite dentro, que é quando não tenho rotina. É que para mim escrever não é estar meia hora a escrever. Para me concentrar e escrever com nexo preciso de estar sozinho para me concentrar.
Estou ali enquanto me apetece.
Geralmente escrevo na minha salinha da lareira, onde tenho o meu computador, mas não gosto de escrever directamente no computador, escrevo sempre em papel, com caneta e a cor não interessa é sempre com a primeira que encontro.
Estou sempre a ouvir música… sempre! Por vezes estou tão obcecado com o que escrevo que a música, passa ao lado, nem a oiço.
Sou capaz de escrever exaustivamente durante uma semana, e depois estar outra sem escrever. O que se passa na minha escrita é construído através da memória, ou da transformação de factos reais ou da invenção de factos que acabam por construir a memória, a minha memória trabalhada ou não.
A minha memória, o meu pensamento está sempre lá, muitas vezes através dos factos concretos que são transferidos, outras vezes uma reinvenção da memória.
Descobri na escrita um espaço que apela também a minha veia inventiva e isso também me agrada
Olho à minha volta…
Que faço a tantas imagens, que todos os dias vejo, ou sou obrigado a ver? Imagens ou acontecimentos que me fazem sentir que, em boa verdade, apenas deposito os olhos por uns breves instantes, e fazem-me saltar para uma outra dimensão, que produz algum espanto.
Porque? Porque desafia a minha mente o meu outro lado de criar algo novo.
É certo que olho para elas e tenho várias formas de identificar, escrevendo, contemplando, pensando, ou melhor tento identificar com as palavras tudo aquilo que a minha memória conseguiu gravar e aí lido com as alegrias e angústias do sonho.
Muitas imagens massacram os meus olhos e a minha alma. Apenas olho, silencioso, extasiado como num sonho e tento reformular por palavras, mas também em paralelo, no processo poético, em que da palavra pensada, lida, ouvida e integrada num certo contexto, a faz construir o texto.
Um texto tem uma história, que fala a amargura, a alegria, o desânimo, a desilusão, o sucesso, o insucesso, o ódio, o amor…
Qualquer coisa me pode servir de inspiração para escrever; um filme, uma paisagem, um livro, uma simples letra de uma música, uma frase dita no ar… qualquer coisa que desperte em mim a necessidade de pegar numa caneta e ficar ali a explorar esse aflorar de sentimentos.
Quando contemplo algo, não necessito obrigatoriamente de decifrar todas as metáforas da forma, e nem sempre desenvolvo uma relação de gosto com ela.
Muitas vezes coloco os sonhos numa gaveta qualquer, escondidos no fundo do meu coração ou naquele lugar secreto onde guardo as memórias em surdina.
Eu considero-me uma pessoa muito curiosa e quanto mais envelheço, menos medo tenho de ir mais além.
Não sou um escritor, o que sou é um “curioso”, uma vez que em todos os meus escritos tento transpor para o papel algumas das experiências que vivi ao longo de mais de 40 anos.

Mikii
(Foto da Net)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Acordo o vento

Sonho a certeza do sentido
acordo o vento,
como os sonhos que trazem o receio de adormecer.
Amaldiçoada tristeza
de um maio que despede a Primavera, desata trilhos ocultos
cobertos de raios de luz...

Acordo o vento
sem noção olho o infinito,
emoções florescem,
regadas na desordem das nuvens
refugio-me no teu peito,
oiço o teu coração
teus cabelos em desalinho
esperança intensa
mulher...


Acordo o vento
dispo-me na paixão de gotas nuas ao luar
à medida que a minha boca se pôe na tua,
para derreter o gelo
palavras meias loucas,
profundos olhares, cúmplices num riso...
o vento feroz tudo desmorona
os minutos afogam-se
nos cantos da vida.

Acordo o vento
Conheco-te...
Já nos cruzamos por ai
trocamos olhares, como quem se deseja...
Tenho medo!
sonho a certeza do sentido
fecho os olhos para sentir a alma
por dentro sangro
na noite clara.
Perdi-te!
Já não te encontro,
tudo é alheio ao sentido da vida,
ao desejo do coração.

Acordo o vento
quando os sonhos me impedem de viver,
não quero brigar com o mundo,
mas se um dia isso acontecer
quero ter forças suficientes para te mostrar
que o amor existe...
que ele é superior ao ódio e ao rancor.

Acordo o vento
O tempo passou
tu já não estás!
acordo... e não gosto do que descubro.
A realização para os sonhos,
quase sempre se perde no caminho.
Não passo de um grão de areia no deserto
lançado no tempo.
Tudo não passa de um sonho.

Mikii
(Foto da Net)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sou um Instante...

Sou um instante...
Pergunto ao espelho que insiste

no meu reflexo
o que é afinal o destino?
Retalhos que marcam com cicatrizes profundas
esta minha alma de homem.
E ninguém ouve o meu grito!

Sou um instante...
Sangro por dentro,
palavras que te entrego e ofereço
para povoar todos os vazios.
Foi hoje... que senti o vento na noite
aquele que me envolve em mistério.
Aquele vento...
Que implora por ti no silêncio
e eu deixo-me ir...
No silêncio deixo ir o amante,
o marido,
o pai,
o amigo,
o filho,
o irmão,
o homem... que sou!

Sou um instante...
Por todas as partes recônditas do meu corpo,
solto um grito
onde confesso este amor
que me enlouquece.
Palavras secretas
que me falam no silêncio do olhar,
vão surgindo como encanto,
a alma vaza
deixando à solidão um lugar.

Sou um instante...
Quando penso num olhar
que nada encontra.
Será covardia de uma alma já vazia?
Corro sem parar...
O sol rompe pelas nuvens timidamente,
apetece-me gritar
rasgar do coração
a ferida que ficou.
Como um instante...

Sou um instante...

Mikii
(Foto da Net)

Sim, sou eu...

Sim, sou eu...
Os braços envolventes da alvorada
tem o sorriso das estrelas cintilantes de alegria.
O vento sorri,
sopra brisas enfeitiçadas
murmúrios da minha alma
suaves brisas de galáxias esquecidas,
alamedas floridas de sonhos azuis,
nas estradas infindas do firmamento.
A fórmula mágica para te conquistar
sei que existe... sempre a busquei
falei ao vento de ti... e ele chorou...
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das estrelas,
serão, o meu ego
nas solitárias madrugadas.
Sim, sou eu..
e no sorriso do mar, oiço a tua canção,
melodia da tua alma encantada.
Deambulo pela imensidão do sonho,
por nuvens de incerteza e amargura,
vou amar, saborear,morder, cada segundo teu,
sem pudor, sem temor, sem medo da nova dor!
A memória da minh'alma vai buscar-te
ao infinito dos sonhos e nas ternuras das brisas,
traz-me as tuas lembranças.
Sim, sou eu...
o vento sorri
a voz do silêncio conta-me melodias de encantar
das nuvens doiradas dos teus pensamentos.
Minha alma canta com a tua
a mesma canção,
na noite dos mistérios, minha alma flutua
ao som das melodias, dos teus gemidos.
Sinto-me assim
o vento sorri
num aamaranhado de pensamentos
sem os beijos no luar
que me acordavam de madrugada.
Vagueio assim...
respiro a doce melodia do meu sonhar
esvoaçando nos segredos do vento.
O vento sorri...
sentimentos magoados
emoções descompassadas
vãs utopias que deixaram sofrimento num sonho
sim, sou eu...

Mikii


(Foto da Net)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tu, que me roubas-te...



Quero morrer...
da tua vida desaparecer
odeio-te sem fim,
e morrerei de amor porque te quero!
Tu, que me roubas-te a alma,
Tu que me roubas-te o sonho.
Eu não voltarei...
quero morrer!
com a noite quente, calma
adormecerá tudo.
Choro com amargura as mágoas
das ilusões mortas
sem qualquer limite ou condição.
Quero morrer...
Será que nada fui para ti?
"Impossível"
esta palavra é um punhal cravado
no coração.
Quero morrer...
Segurar as lágrimas é o mesmo
que pedir para parar o tempo,
nas horas de íntimo desgosto.
Tu, que me roubas-te a vida
Tu, que me roubas-te a alegria.
cada palavra lembrada, provoca em mim
sentimentos e emoções,
muitas vezes difíceis de ser esquecidos.
São palavras que encerram
uma profunda dor.
Quero morrer...
Dormir sem sonhar
a dor que já não doi.
Deixar de sentir,
anular os sentimentos,
numa angústia doida no peito...
Tu que me roubas-te tudo
Tu, que me roubas-te a própria dor.
Quero morrer...
já nem consigo sentir dor!
nem saudade...
Saudade é sentir que nada aconteceu,
que ela partiu, traíu e morreu
e que a qualquer momento,
não importa se aqui ou além
estarei de novo caminhando.

Mikii
Escrito algures em 1987
(Foto da Net)

Hoje vi o mar



Hoje estou feliz
hoje vi o mar
hoje sinto o meu coração,
como uma bola de sabão...
frágil, sem rumo, solitário...
numa viagem de dor e incertezas.
Hoje o meu olhar é mais frio
na noite quente e estrelada,
hoje o universo está à minha espera
completa o vazio
que tanto magoa o coração.
Adoro o mar...
fico com vontade de mergulhar mais fundo,
mas o meu medo é maior,
e volto de novo para trás.
Hoje a manhã nasceu calma,
mas a solidão
destroi todos os sonhos.
É o fim do pesadelo!
Mas... hoje estou feliz
hoje vi o mar
hoje o mar viu-me a mim,
então...
ficamos os dois curiosos um do outro
a redescobrir o prazer de viver
a trocar segredos...
olhos nos olhos
em tom de mistério.
Hoje vi o mar,

hoje vi a bela ilha de encantar

que me faz sonhar e recordar
com uma beleza frágil, mas serena
vi o mar, com um olhar vivo
e ao mesmo tempo contemplativo.
Hoje estou feliz
hoje vi o mar...

Mikii

domingo, 5 de junho de 2011

Não perguntes nada...



Não perguntes nada
meu corpo sente o afago
lábios trocados, molhados
fantasias na madrugada
face cansada
olhos cerrados.
Não perguntes nada…
o tempo ainda não terminou
a névoa abraçou a madrugada
desnuda-te para mim
deixa que descubra
o toque da tua alma
ao adormecer.
Vamos sentir o vento gelado,
vou suspirar-te ao ouvido
e voamos de encontro às estrelas.
Não perguntes nada…
sem uma palavra,
olha para mim
na cama em desalinho,
no jardim da paixão.
Aos toques de prazer,
um gemido abafado.
Não perguntes nada…
vamos aproveitar o momento
perdemo-nos no tempo
novamente
até ao amanhecer.
Basta um olhar,
um olhar que se perde no teu…
Numa felicidade infinita.
Não perguntes nada…
busca emoções.
Tinha a certeza que estava a entrar
num mundo que não era meu.
Sei que não podia,
sei que não devia,
mas tu deixas-te,
uma entrega em delírio.
Não perguntes nada…
sim, acredito, que o amor é intemporal.

Mikii
(Foto da Net)

A Vida



A Vida é espantosa
o tempo passa inplacável
vozes profundas, risos explosivos
vozes que criticam o silêncio
saindo da escuridão.
A vida é espantosa
cheia de olhares perdidos
nos medos e nas emoções,
quase destroem um sonho.
Mas o amor, a paixão, o ódio,
o egoísmo,
são sentimentos universais.
A vida é espantosa
olho para ela como inspiração
com a paixão que desperta,
como se procurasse alguém
cavando ainda mais ilusões.
A vida é espantosa
aqui a vida não tem limites
não só por tudo o que fez,
mas porque o seu caminho
se cruzou, de forma feliz,
com a minha alma.
A vida é espantosa
tem para mim, por isso,
um encanto especial
nos meus deslumbramentos
ah... o deslumbramento,
a busca do efémero,
enfim, da vida como festa
a ser fruída!
A vida é espantosa
quando deparo com algo maior que eu,
o oceano, ou o imenso céu estrelado.
Momentos mágicos,
que me fazem ser eu,
um espelho exacto dos meus sentimentos.
A vida...
no sentido de estabelecer pontes
e ultrapassar preconceitos,
dessa ideia de felicidade que dormita
em cada um de nós,
cansado de lutar,
joguete sem liberdade.
A vida é espantosa
dá-me alguma coisa para partilhar
para relembrar
ousadia para quebrar a rotina
ousadia para amar mais...
A vida é o receio de deixar tudo
aquilo de que gostei , e gostei muito.
A vida é um sentimento de pertença.

Mikii
(Foto da Net)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Foi a Solidão


Foi a solidão
que entrou no silêncio...
Se um dia olhares para trás,
quem sabe se não me verás.
Pois os mistérios do tempo
que nos fez ficar em silêncios por momentos
é o vento que conversa,
é a lua que ilumina a nossa história.
Provo o cheiro a maresia,
enquanto aqui estou à tua espera,
relembro cada momento,
cada instante, cada palavra,
cada sorriso.
E se o tempo não existe
num respirar de saudade,
já não sou aquele que se limita
a aproveitar o momento
com medo de naufragar!
Foi a solidão...
sem rumo certo
que procurou por mim,
não no verdadeiro sentido da palavra...
mas nu, despido de defesas, de silêncios.
Não me lembras o céu, nem nada que se pareça
pois continuo perdido,
sinto o coração magoado!
Não me perguntes o que espero de ti...
Foi a solidão
que o tempo não apaga
em busca de luz,
rasga o peito em pedaços de saudades,
prisioneiro das próprias emoções
perdi-me...
num caminho de tenebroso desvario.
De tanta solidão, só tenho alma
quem tem alma, não tem calma.
Esqueci-me do que é certo,
deixei de ouvir a razão
e via só fraquezas
que me reduzem a nada
no abraço silencioso da despedida
relembro frases, expressões , gestos,
o poder de cada palavra, em cada conversa.
Mas que importa uma vida
se temos a imortalidade do tempo
para o céu da solidão alcançar?...

Mikii
(Foto da Net)

sábado, 7 de maio de 2011

Se um dia me sentir triste

Se um dia me sentir triste
vadio de pensamentos
assisto à minha imagem
perdido na noite.
Sem uma palavra
olho para mim
fecho os olhos
sinto-me esvoaçar
e agarro-me à esperança,
ja nem sei de quê.
Os meus olhos estão tristes,
perderam a emoção.
Hoje olhei para o espelho
e não me conheci
fechei os olhos
para o mundo não me ver.
Pedaços de sentimentos
gotas de suor derramadas
nas minhas tempestades anteriores.
Se um dia me sentir triste!
É da loucura, do êxtase
do mero encontro de corpos.
Faz-me falta acreditar...
Em ti. Em mim.
Se um dia me sentir triste...
é porque sinto a tua falta.
Não te vejo a guardar as minhas palavras
mesmo quande de sombras faço emergir
oceanos de segredos.
Fecho os olhos
porque a verdadeira compreensão
não se faz de palavras...
erguem-se em metáforas silenciosas
e encontros furtivos.
Se um dia me sentir triste
perdido na noite
na confusão dos sentidos
nos sussuros que se erguem
na imensidão transcendente da noite
porque não me basto,
porque silêncio apelas,
porque me faltas e dói saber isso.
Se um dia me sentir triste...
fecho os olhos
é porque sinto a tua falta.

Mikii
(Foto da Net)