Fechei os olhos, Inspirando a brisa salgada que me perfurava a alma sentado à beira –mar como quem guarda a praia. Descalço de coração apertado! Tentei quebrar o silêncio limpando uma lágrima incómoda. Mas o tempo passou, como… uma canção bem triste, junto ao mar. Perdi o domínio… comecei a escrever com a alma na ponta dos dedos. De certa forma, as coisas moldam-se a nós, vivo intensamente vou a caminho… É aqui que eu guardo algumas coisas que encontro que são só minhas… Pronuncio palavras com os lábios mansamente para a areia que o futuro se encarregará de não confirmar. A vida é viver intensamente, não se pode pensar, hesitar, voltar atrás. Limpando uma lágrima incómoda, preencho o vazio faço promessas pronuncio palavras volto a acreditar na vida… ela não dá tréguas!...
Trazia o sol no sorriso um sorriso alegre e cristalino… Seria apenas o sol? no meio de uma neblina ou também o silêncio os sentimentos e as emoções? A vida que me enlouquece nesta busca incessante de incertezas que rasga o esquecimento. Todos os sorrisos todos os prazeres… Fico absolutamente vazio e prefiro retirar-me para o meu interior, para a minha solidão, para o meu silêncio. Muitas vezes sinto-me só no meio de uma neblina e quando isso acontece, é mais uma forma de escrever é mais um impulso criativo e é assim que resolvo a solidão. Fico a tactear na escuridão continuo a procurar o meu caminho o meu espaço… Por vezes não sofro… amo-me a mim. E por vezes basta uma simples “gota de água” para me transmitir algo profundo no meio de uma neblina. Olho para o espelho e digo “vou mudar” Desabafo… num tom calmo! Fecho os olhos e deixo-me ir, Fartei-me de gastar palavras… Aos poucos abri os olhos E da claridade Nasceu a realidade No meio de uma neblina.
Gosto de te ver assim só tenho para te dar, o que sou, o que sinto. E restam as palavras o meu silêncio em tua alma o aroma, que a chuva provoca e inunda o meu olhar. Palavras não ditas pensadas sentidas… Gosto de te ver assim e nesse delírio chego a sentir o mais profundo sentir. Apago os silêncios da loucura, apenas com o objectivo de em ti me encontrar, mesmo que o silêncio faça parte de ti. O olhar que me prende a alma que me sente nos sons que invento, vem assim… bem devagar… Gosto de te ver assim…
Adeus choros e lamentos ódios que esqueci amores que já não sei… mesmo quando, lhe ofereci o colo e palavras doces, vazios entregues ao destino. Cá dentro, só buracos e erros um longo sofrimento o sentido que me permite ser aquilo que eternamente desejo ser. Acredito piamente que um dia, não muito longe não muito perto, num tempo que há-de vir, no espaço prometido isso terá lugar, acontecerá… Debaixo de um céu carregado de nuvens conquistar uma forma de liberdade correndo o risco da solidão, virar as costas ao passado às agruras da vida aos fantasmas antigos. Chegam em silêncio e velam para que não durma… nunca mais durma! Adeus choros e lamentos, Vou partir… Partir para mim próprio… Abram-se os horizontes para poder sentir o sol o vento frio e seco… Ah, e debaixo da chuva suscitar emoções, sentimentos, reflexões, fantasias, choros e lamentos que separam a noite da manhã rosada.
Procuro-te para além do meu próprio ser e de tanto procurar, já não sei qual de nós está ausente. Imagino-te sentada no degrau que te leva até ao mar, paro escuto e acaricio o teu corpo, confundindo os teus olhos com o luar, na embriaguez do instinto. Imagino o teu corpo, despido como uma sereia, e num misto de prazer calo os gritos calados que saem dos teus lábios sem se ouvir. O beijo é urgente! anseio um abraço um abraço lento lento e ternurento mas sempre intenso como um lenço colado ao corpo por um vento que ninguém sente… só eu… como aquele que senti na noite em que nunca te vi!...
Não sei se vou chorar Não sei se vou gritar Não sei como te amar Mas de repente a razão acorda-me Olho para ti e sinto que tudo pode mudar. Tocámo-nos Despimo-nos Não pensei Tu… também não.
Não sei se vou chorar Não sei se vou gritar Não sei como te amar Acendi a lareira Afaguei o caminho que caminhas Para procurar o abraço quente, E à chegada da estrela da manhã Teu corpo serpentear... Para arder na fogueira da paixão.
Não sei se vou chorar Não sei se vou gritar Não sei como te amar… Conheço bem cada pensamento teu Que como um louco repito Sinto-te perto ainda que longe! Como a minha sombra A tua vida não posso agarrar. Já não consigo acreditar…
Não sei se vou chorar Não sei se vou gritar Não sei como te amar Olho o horizonte, deixei de te ver. Se tudo tem um começo Vou continuar a perguntar porquê? Antes que a roda da vida Desperte em nós o ardor E nos junte mais uma vez.
Não sei se vou chorar Não sei se vou gritar Não sei como te amar Sabe bem ter-te por perto Sem medo do brilho que dure Que dirás se o tempo nos der o tempo Sobre uma estrela perdida E olhando sem olhar Mil e um segredos.
Não sei se vou chorar Não sei se vou gritar Não sei como te amar Coração em ruina Na penumbra do quarto, Desvendas fantasias A dança das chamas Mais dias, mais noites Sei que a ti vou-me entregar.
Deslizei pelo tempo! Como um rio… Nem sabia que tinha tudo isto cá dentro de mim, e até penso... Se não terei perdido tanto tempo no meu passado… Deslizei pelo tempo como um rio e fui passando, passando… Não vinha ninguém!... Quero aperfeiçoar-me sinto que saí desta corrente. Não, porque tenha sido mau, corri atrás de outro sonho, quando oiço as palavras… nunca digas nunca! Às vezes acho que encontrei! E depois… nada. Tanta coisa em poucas palavras. Quero ir, mas quando lá estiver sei que vou querer voltar. Quero sonhar com o lugar onde não estou sonhar com o lugar onde passei e achei que não era esse o local ideal. De me iludir de sonhar de nunca estar satisfeito. Quero ir… pelo cheiro da terra pela cor do mar pelo calor pelo frio deslizar pelo tempo! Como um rio.
Acontece muitas vezes apetecer, baixar os braços e desistir. Em cada momento, em cada lugar, a vida revela mais sobre quem o diz do que, sobre ela própria. Apetece,revelar especialmente, quando sei que faço tudo longe do mundo, onde o sol brilha intensamente, longe da vida, no frio de uma noite de inverno, da maneira certa, com a melhor das intenções com a ânsia de conhecer, de conviver, de viver. Ou se convive com a verdade ou ignora-se! E… o castigo é continuar infinitamente a errar. Os defeitos são as qualidades, os meus medos são as certezas da minha outra parte. As esperanças são os medos, que me ajudam a buscar a felicidade. Cada um de nós procura a outra parte que nos completa que preencha algo que nos falta. Assim, buscamos no outro o que não temos, ou o que não somos. Como o modo de amar, ou de estar na vida, ou da forma como nos ilumina. Ou alguém aparece e dá um arraso em tudo o que foi feito... Aquilo que a vida revela.
Diz que não é tarde demais Agora… parto sem mágoa Já não quero estar aqui. Quando o sol se esconder no horizonte, quando toda a dor vier à tona só o tempo vai curar. Tu vais entender! Tento chegar ao farol, e não encontro uma saída. Eu sei… que não sou escritor e por isso procuro palavras, para definir este lugar tão belo. Tudo fica mudo! Aqui!... Neste porto de abrigo. Eu vou gritar ao mundo! Já sofri por amores que vivi. Neste farol… Onde o horizonte começa e termina e o tempo espera. Tanto silêncio… Queria entender as razões que só o tempo pode curar… Neste porto de abrigo vou-me encontrar. Vale a pena acreditar Cá!… vou gritar ao mundo tudo pelo que passei. Aqui!... acabou-se a dor que me parte em pedaços. Além do brilho do farol, o horizonte… leva-me até ti, Quando tu não estás… O farol, o mar calmo, o silêncio, levam-me até ti. Não queria tanta solidão, não sei onde estás, mas não penses em te afastar de mim. O farol… Este meu porto de abrigo onde oculto os meus sentimentos pelo menos, algumas vezes. Aqui!... onde o mar começa e a terra termina. Além do horizonte, do pôr-do-sol tenho o brilho do farol.
Amar é entregar-me, Sem medo e sem reservas A algo superior e incontrolável. Milagre! Amar é dar e receber e transformar em doce Tudo o que é potencialmente amargo.
A felicidade é para aqueles que querem ver-me crescer, e a tornar-me verdadeiramente grande. Milagre! Se o que tenho a dizer não é mais belo que o silêncio.
Talvez seja altura de parar, numa súbita fractura de mim, num quebrar de alma. Milagre! Nas saudades do que já fui em que todas as coisas se fundem.
São precisas torrentes de sangue… Olho em volta e percebo se precisar de ajuda não hesito. Milagre! Não tenho de fazer esta travessia sozinho.
Controlo as minhas emoções… Quando deixa de ser uma batalha minha, desculpas vêm sempre a calhar. Milagre! Aos olhos do mundo basta uma lágrima.
A felicidade é para aqueles… Que andam ao sabor das ondas, tento não ver apenas o lado negro da vida. Milagre! Quando a tempestade passar, a poeira baixa e o sol volta a brilhar.
Amar é dar e receber… Para se executarem grandes coisas Basta uma lágrima Milagre! Para amar… há que viver Como se nunca fosse morrer.
Controlo as minhas emoções… os quereres, as necessidades, os devaneios, Pois é necessário canalizar toda a energia. Milagre! Este corpo no final, Será misturado com a lama.
Suave… Palavras loucas que se lêem nos olhos serenamente. Amarras secretas são palavras que o vento leva.
Suave… o sentir, o sentido, o despertar dos sorrisos que nasce do desejo. na pele que veste o corpo.
Suave… o que a alma sente porque não pode ser amor, mas tua magia suave borboleta penetra na lua.
Suave… que mais posso fazer? não levas apenas o meu cheiro nem os meus beijos em tua face e num sopro vais!
Suave… borboleta és brisa intensa lua branca que brilha. Tenho nos olhos guardados, o tremor do teu desejo.
Suave… palavras de todos os dias fico calado, na sombra do que sou, que se mistura com o passado.
Suave… a música da noite, apenas por instantes sou a voz da música que escutas. Mudemos as palavras troquemos os sentidos.
Suave… A vida é poema a verdade é sempre melhor que a mentira mesmo que doa. É de vento que me alimento porque há silêncios que dizem mais que palavras.
Suave… É a tua amizade, assim como a lua, assim como a canção que me confidencia segredos.
Assim pouco a pouco um traço, faz ressaltar as palavras. A esperança, a ilusão, o abismo… Ou mesmo o mais ínfimo sorriso. Terão o mesmo destino? A esperança que se busca compreender, a ilusão… Sempre temperada pelo sol da ironia. O abismo… Depois do silêncio, de pensar a vida, O amor, o tempo, a morte, o corpo, ou mesmo o mais ínfimo sorriso. O sorriso… Rir, rir, rir… num atroz abismo, depois do silêncio. Assim pouco a pouco, pessoas que passam ao de leve na vida terão o mesmo destino, irão cruzar-se para sempre no silenciamento das vozes. Fazem ressaltar palavras…! A esperança… um vulcão de emoções. O abismo… torrencial. A ilusão… a que ignoro, quando em sussurro percebo a vida que me rodeia. O sorriso… que guardo enquanto o dia se esquece de mim. O silêncio… apago-o e isso talvez me dê uma sensação de liberdade e paz… Assim pouco a pouco…
Tempo, falta-me tempo falta-me tempo para ter paz para o nada para o vazio para ficar disponível. É muito importante ter momentos, tempo… pleno de vazio. Falta-me tempo vivo momentos, e vou guarda-los para sempre. Tempo, que expressa o que me vai na mente e no coração. Falta-me tempo a expressão do olhar traduz o sentimento, os instantes mágicos, suspensos nos teus encantos. Tempo… e o silêncio inspiram-me, mostro-me, mas nunca me dou realmente depois da sedução do amor… Tempo… falta-me tempo Tempo sobre a razão de viver Tempo sobre a importância das coisas Tempo… no corpo e na alma para ouvir os outros. Falta-me tempo Para abdicar de tempo, de vida, de privacidade de emoções de sentimentos… Ás vezes penso que está tudo ao alcance das mãos. Mas… falta-me tempo.
Afinal… Quem és tu? que me procuras quando a noite cai na busca de maior serenidade. És paixão… que não queres saber nada, mas sentes tudo. És a melhor a atingir metas mesmo que silenciosas mesmo que nunca ditas mesmo que escondidas entre desejos e receios. És paixão… és alguém que me encosta o ombro sem perguntar nada! Carregada de sonhos, e de sonho… O sonho que rapidamente se transforma em pesadelo. És paixão… de conversas à lareira de noites de insónia largadas ao vento, ou na cama de alguém… Estás guardada no coração. Paixão… por detrás de uma cortina! quando chega aquela aragem o lugar não tem nome Afinal… Quem és tu? que fechas a janela ao adormecer.
Vive cada instante... A nossa vida, foi feita para amar. Não sonhes... vive cada instante. Tudo no mundo é frágil, a minha alma de sonhar-te anda perdida. Vive cada instante nos turbilhões que o vento levantar. Tanta sombra em redor... Vive cada instante! A vida é simples, olha-a de longe fingindo ter pena no coração vazio. Eu sei que sonhei ainda sem amor por ninguém! Vivi cada instante e nesse sonho eu já nem sei quem sou. A brisa do mar vive cada instante... Dá-me a tua mão que me acaricia o rosto e a minha boca triste e dolorida. Vive cada instante porque se morre, no beijo que procuras aprisionado dentro do peito. Acredita... vive cada instante a nossa vida foi feita para amar.
Dois corpos saciados que voam perdidos despidos… Ontem vi-te nua, pela primeira vez no abatido silêncio. Senti os acordes nostálgicos das batidas do teu coração, até nos fundir-mos num só. E rimos, brincámos e conversamos para o céu alcançar. Que importa para onde vou uma boca, um beijo sede, desejo e o tempo sentiu a minha alma. Quero sentir o respirar da tua boca dentro de mim. Um corpo delineado de mulher… E amanhã? relembro tudo de ti, tudo de mim, muito de nós… Dois corpos saciados o que sou o que tenho para te dar o que te quero dar até ao céu chegar… E gostei do que vi e gostei do que senti e gostei… e gostei… de conhecer esse teu lado frágil, vulnerável, sincero. Dois corpos saciados a chama do amor beijos… Sentidos, cansados suados, molhados despidos de devaneios sem fim. Das tuas mãos reflectindo pedaços da tua alma um aroma a cetim entregue ao amor entregue á vida entregue a mim, dois corpos saciados.
Mais um ano passou… 2011 Como um sonho! Sonhei mas não me lembro. Tento pensar como é que me sentia quando não estava perdido. Os passos lentos absorveram o escuro na angústia até que mais nenhum sonho me toque. Será que foi um sonho triste? Belo? Envolvente? Ou uma história de solidão ? O sonho acabou… O ano terminou E algo ficou ficaram as certezas ficaram as sombras ficaram as cinzas ficaram os gestos ficou o olhar ficaram as palavras ficou o consolo ficou o amor ficou o fogo ficou o céu ficaram os caminhos ficou o passado ficaram as ideias tudo se transformou em passado. O ano acabou… O sonho acabou… 2012 Um ano novo começou num piscar de olhos. Com ele veio: O amor A paixão A amizade A paz O frio A palavra O poema A música O olhar A esperança os sorrisos os pensamentos, Cheios de esperança