sábado, 10 de dezembro de 2016

Rio Sul



Que lindo o rio sul
de pedra em pedra a saltar.
Caindo arrastam Seixinhos
Que vão correndo, a brincar.

Que vão correndo e rolando
numa alegria singela
De pedra em pedra beijando
o areão de cor amarela.

Que lindo o rio sul
onde bebem as flores
as árvores e os passarinhos
e também os lavradores.

Rio sul, a alegria dos campos
semeados, que lindos são
Enchem de amor e poesia
os cantares que saem do coração.

Nasces-te nas terras de sul
vais por aí abaixo alpedo
Segues teu caminho formado
até à cidade de S. Pedro.

Quando batem as trindades
rezam baixinho “MeuDeus”
E passam, como saudades,
os andores Implorativos aos céus.

E se cair alguma flor
na pequenina corrente
A espuma faz-lhe um andor
e leva-a rio abaixo... suavemente

Rio sul, não paras
vais correndo, para onde?
Vais ao encontro do Vouga
e do mar que na distância se esconde.

𺰘¨¨˜°ºð047/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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sábado, 3 de dezembro de 2016

Luz



E eu que sou triste, escrevo as minhas agonias
de tudo quanto é sombra, luto e desalento.
Erguendo em cada verso, um coro de ironias.
eu que vivo na dor e escrevo o sofrimento.

Elevo a minha voz, agora para me expressar
a minha graça estranha, esta graça encantadora.
Que me ensinou enfim, os tempos conjugar
do verbo que é na minha vida, a minha luz acolhedora.

E podem-se alegrar as fragas escarpadas sem medos
rasgar o corpo inteiro em tojos e silvados.
Como suporto o coração, com tantos segredos
não o sinto embriagado, cálidos momentos guardados.

Achei no teu encanto, a forma que sonhava
a graça embriagante, que eu adoro e prossigo.
Achei no teu olhar, a luz que me faltava
eu era a noite escura, a luz veio contigo.

Amar é florescer, é ter no coração
a essência da harmonia, espírito de saber.
É ter sobre a dor, o véu de uma ilusão
é ter no crânio ardente, o beijo azul dos céus quando morrer.

𺰘¨¨˜°ºð046/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Há qualquer coisa no tempo



Há qualquer coisa no tempo
que desapareceu.
O que sei…
o que sinto…
Procuro dar sentido
ao que não tem sentido.

Ás vezes, doí, muito sim…
então transformo-me em pedra
e o coração passa a ser apenas
um cubo de gelo.
Aí, ganho consciência dos silêncios
e de todas as feridas.

E cada tempo tem o seu tempo,
no intenso desejo de viver.
São as horas certas
em todas as horas incertas
e o mundo continua a arrumar-me
ás voltas com a vida.

Há qualquer coisa no tempo
quando procuramos e não encontramos… Nada!
Repetimos padrões, cometemos erros.
outras vezes, corremos, apressados,
atropelamos a oportunidade e os sentidos.

Desenterramos velhos fantasmas
sonhos e pesadelos
que se tornam de repente num desafio,
e... na ironia do destino e do tempo
escondendo quem somos.

𺰘¨¨˜°ºð045/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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sábado, 26 de novembro de 2016

As canções que eu escrevi



Quase todas as canções falam de amor
em que o sonho é possível
falam de beleza ou emoção
ou do nosso lado sensível.

Uma dimensão intemporal
o começo da nossa perdição
de olhos postos no céu
sentimentos no coração.

Tempos confundidos
devolvem o sentido da nossa existência
nas canções que falam de dor
Sentimentos e transparência.

Todas as canções falam de paixão.
querer é desejo de quem ama
e de quem deseja ser amado
num sonho sem fim e manter a chama.

Quero descrever, mas vou sufocar.
sei o tamanho dessas dores.
Que vivem nas letras inesperadas
das canções cantadas com desamores.

Existe o céu…
sinto que tu já não estás aqui.
Sinto que também já morreste
nas canções que eu escrevi.

𺰘¨¨˜°ºð044/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dentro da alma



Deixa que os meus passos
entrem na tua vida.
Vou seguindo por esta estrada
com a minha alma despida.

Deixa que as minhas palavras
entrem no teu coração.
Olha-me bem dentro da alma
vê como vou caminhando na solidão.

O mais íntimo desejo
pelo pecado do meu pensamento.
Assim no tempo muitas vezes divergente
desperto os sentidos fugazmente.

Continua a haver lugar para a utopia
cada passo é um ensinamento.
O meu olhar… Estas angústias
que não me saem do pensamento.

Relativamente ao tempo
tão avassalador
Como se estivesse a ser sonhado
no meu coração cheio de dor.

Não sinto… apenas o reflexo do que vejo
não penso que vou partir.
Como as marés, viajo no presente
porque sei que torno a vir.

Olho sempre para lá do horizonte
porque sei que vou partir
Para relembrar o passado
no futuro que há-de vir.

Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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sábado, 12 de novembro de 2016

Volto atrás no tempo



Volto atrás no tempo
sinto um arrepio percorrer-me o corpo
sinto o cheiro da terra
como quem desembarca de uma viagem
num dia cinzento.

Volto atrás no tempo
acompanho o serpentear da imensidão,
do sentido que me desperta.
Não importa tudo o que me aproxima
tudo termina num sussurro.

Volto atrás no tempo
devaneios… memórias amargas,
mas o futuro não tardará.
Os olhos fecham-se e abrem-se
num absoluto tormento.

Volto atrás do tempo,
vou ao encontro de memórias
que o próprio tempo não possui.
E cada tempo
tem o seu segredo.

Volto atrás no tempo
defino sentimentos, memórias, emoções
numa forma crua… despida.
Numa busca incessante,
vivo uma solidão total.

Volto atrás no tempo
sou apesar de tudo um ser insatisfeito,
como se o embotamento dos sentidos
nunca chegassem a esquecer
quando a nostalgia se apodera mais de mim.

𺰘¨¨˜°ºð042/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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domingo, 6 de novembro de 2016

Cada um de nós



Cada um de nós
soma os instantes da vida
anota os desabafos da alma
e os sonhos nela naufragados.

Cada um de nós
fala de igual para igual
coisas que poderiam ser tão simples
como o silêncio na solidão total.

Cada um de nós, seca de emoções
numa silhueta sem rosto
num rosto ausente
no jogo da ilusão.

Cada um de nós recomeça consciente de si
de tudo, depois do tempo
corre para o lado
da direção do vento.

Cada um de nós, funde-se
num céu de nuvens brancas.
E não vale a pena,
fugir de todos os mistérios.

𺰘¨¨˜°ºð041/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Eu Sei...



Eu sei…
fecho os olhos
fico envolto em silêncio
de respiração suspensa.

E fico a ouvir o ruido das ondas
saboreio o ar da noite
Eu sei…
Relembro um pedaço da minha vida.

Pedaço de um momento,
as cores quentes, a magia…
O tempo voou, eu sei…
fascinado pelo teu reflexo.

Eu sei… Que o tempo passa 
e os desabafos de uma paixão
não se apagam com as ondas,
nem com o passar dos dias.

O tempo passa
qbala-me o espírito,
mostra-me as falhas
o intolerável, o inadmissível.

Eu sei…
Que o mar também se sente.
não só pelo cheiro, que chega da brisa,
mas quando sente que o olhar mente.

Fecho os olhos
quase nada se passou aqui .
A tua necessidade aqui tão perto
Eu sei… que senti quase nada do que sou.

𺰘¨¨˜°ºð040/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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sábado, 22 de outubro de 2016

Ruínas



Quando escurece
a noite torna-se o meu refúgio,
uma bela miragem…
um silêncio quase sepulcral.

O vazio
a solidão que me toca
que me prende
que me comove…

Quando escurece
sinto-me sossegado, pacificado
comando o sonho e a imaginação
observo e procuro…

Procuro a paz
numa ânsia um pouco tresloucada.
Olho para o céu e peço clemencia
neste lugar onde tudo é eco.

Contemplo as nuvens
contemplo as estrelas.
Sem deixar os pensamentos ao acaso
na mente, na alma.

Contemplo as ruínas
invadidas por heras, nesta viagem
sempre fantástica.
Contemplo a minha liberdade.

Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Quem Ama



O tempo passa depressa
as palavras pulsam, a vida anda
com o vigor do amor.
Desencontros não arrefecem o sonho
de quem ama com ardor.

Sentimento ardente
como pensar o amor, a troca do querer.
A delícia do espírito
O sabor delicioso
Que alguém pode viver.

Partilho os meus tesouros,
é a vida afinal que passa
como páginas do meu ser.
Neste baú carunchoso de quem ama com dor
deixo a sabedoria correr.

𺰘¨¨˜°ºð038/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Resto



As nuvens adensam-se
tentam compreender a minha alma.
O meu corpo, escaldante essência
O resto… a lua na madrugada fria.

Sonhos que me fazem acreditar
escaldante essência
O resto…que vem de dentro de mim
e me transporta ao abismo.

Volto às raízes,
sigo pelos caminhos que me restam
Tenho necessidade de saber quem sou
e onde devo buscar os meus sentidos.

Estou disposto a escutar-me na escuridão
a lua fará eco das minhas vontades
escaldante essência
e depois há todo o resto…

O resto… do tudo e do nada
perigoso e fatal.
Escaldante essência
que se deita na mesma cama.

Digo o que penso…
De resto… Penso o que não faço
não faço o que quero
e faço o que não quero.

Esqueço tudo o resto.
São palavras ao vento
são escaldantes essências, de resto…
De um sonho que me resta.

𺰘¨¨˜°ºð037/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Abro o Coração



Abro o coração
com vista para o horizonte.
Preciso deste ar, preciso deste cheiro
preciso deste chão… que me assola a memória!

Tenho saudade de tudo
observo o monte magaio.
Começo a arrastar as rugas
nos caminhos que também já percorri.

Abro o coração
guardo os sentimentos em algum lugar
dentro de mim lavo as angústias
enxugo as lágrimas e varro as melancolias.

Abro o coração
bate forte, faz-me estremecer.
As lembranças ficam…
Agora salpicadas de tons de saudade.

Os anos passam, os dias passam
Subo os olhos em direcção ao céu
Monte Magaio
E lá estás tu alto e formoso.

Abro o coração
numa outra história,
numa outra vida, um outro destino
e tu continuas sempre imponente.

𺰘¨¨˜°ºð036/2016𺰘¨¨˜°ºð
Autor: 𺰘¨¨˜°ºðCarlosCoelho𺰘¨¨˜°ºð
Foto da Net: Aldeia da Pena - GeoMagazine
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